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Expectativas e frustrações: o que pensam sobre a política os brasileiros que deixaram o país

Em 2017, 21.236 pessoas entregaram à Receita Federal suas declarações de saída definitiva do Brasil. O número representa um aumento de 160% em relação a 2011, quando 8.170 cidadãos decidiram deixar o país. O total veio crescendo gradualmente, ano após ano. Os motivos das mudanças variam: enquanto algumas são motivadas por questões práticas, como transferências determinadas por empresas, outras são impulsionadas pela esperança de uma vida melhor no exterior.
 
“Temos visto muita descrença, muita gente completamente desiludida com a política do Brasil”, comenta João Marques da Fonseca, presidente da EMDOC, empresa de consultoria especializada em transferências de brasileiros para o exterior. Segundo Fonseca, nem mesmo a possibilidade de mudanças políticas e econômicas após as eleições de outubro deste ano são capazes de fazer essas pessoas repensarem a saída do país. “Elas acham que qualquer um que entrar no governo vai, na verdade, piorar as coisas, em vez de melhorar”, acrescenta.
 
O especialista conta que apesar de os Estados Unidos continuarem sendo o principal foco dos interessados em deixar o Brasil, Portugal também tem sido bastante procurado, principalmente por causa do idioma. Ele ainda lembra que alguns brasileiros preferem embarcar rumo à Itália com o objetivo de garantir a cidadania europeia — em determinados casos, o documento serve apenas como um meio para atingir mais facilmente o fim de viver nos Estados Unidos.
 
Assim como os destinos desejados, o perfil de quem sai do país também vem mudando. De acordo com o presidente da EMDOC, em 2016, a empresa foi contratada por 75 pessoas com pós-graduação e boas condições financeiras que resolveram mudar-se para o exterior. Já em 2017, o número de clientes com esse perfil subiu para 230. “Há uma grande fuga de mão de obra qualificada. Vemos principalmente empreendedores que montaram seus negócios, tiveram lucro e agora decidiram fechar as portas e ir embora”, completa.
 
Esse foi o caso do empresário Ivan Ortega (30). No ano passado, ele vendeu seus dois bares em uma badalada rua de São Caetano do Sul (SP) e, há quatro meses, vive em Nova York, onde trabalha como consultor de um novo restaurante em Manhattan. “Fiquei encantado pela cidade, a qualidade de vida aqui é muito boa. Você tem segurança para andar pelas ruas com o seu celular na mão, pode estar sempre tranquilo”, explica ele.
 
Quando perguntado sobre se considera voltar para o Brasil, o empresário demonstra incerteza. “Se fosse para empreender em um bom negócio, sim. O Brasil é um bom lugar para ganhar dinheiro: as pessoas lá gostam de ostentar e não se importam em pagar caro por isso. Nesse sentido, é muito diferente aqui dos Estados Unidos, onde você tem que cobrar preços mais baixos ou não consegue vender”, afirma.
 
Questões eleitorais
 
O Ministério das Relações Exteriores estima que cerca de três milhões e quatrocentos mil brasileiros estejam morando fora do país — o número pode ser ainda maior ao considerar todos os que estão em situação migratória irregular. Apesar disso, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apenas 500.727 eleitores transferiram seu título para a Zona Eleitoral do Exterior, o que possibilita o voto em determinados territórios estrangeiros. O prazo para solicitar a transferência a tempo das eleições deste ano terminou em maio. Quem se muda para fora e continua com o mesmo domicílio eleitoral precisa justificar todas as ausências às urnas.
 
Moradora da cidade de Santiago, no Chile, há cinco anos, a especialista em marketing digital Paula Vieira (37) sempre optou por essa segunda alternativa. “Se eu achar que algum candidato vale a pena, posso pedir para transferir meu título, mas não é o caso”, comenta. Natural de São José dos Campos, ela resolveu se mudar definitivamente apenas meses depois de conhecer Santiago em uma viagem turística. “Fiquei muito impressionada com a organização da cidade, que é moderna, limpa e segura”, diz.
 
 
Hoje, Paula trabalha na área de marketing de uma grande rede de hotéis — segundo ela, o emprego garante boa qualidade de vida mesmo com os custos altos de Santiago. A paulista ainda ressalta que, apesar de perceber problemas no país, não se arrepende da decisão. “É claro que nada é perfeito. Aqui também tem transporte público lotado, desemprego e corrupção na política, mas em uma escala bem menor do que a do Brasil. Eu valorizo muito principalmente a segurança que sinto aqui”, explica.
 
Decepções
 
Mas mudar de país não é garantia de satisfação. Depois de dois anos e meio morando em Sidney, na Austrália, a empreendedora digital Amanda Roncato (36) chegou à conclusão de que a vida por lá não correspondia a suas expectativas, e resolveu voltar para o Brasil. Ela havia se mudado para o exterior em 2015, depois de sofrer um sequestro relâmpago em São Paulo.
 
“Sempre me incomodou muito pagar uma fortuna em impostos e não ver retorno. Eu fui sequestrada ao lado de um shopping, à uma e meia da tarde”, conta. “Resolvi ir para a Austrália porque eu já tinha feito um intercâmbio para os Estados Unidos, então procurava um lugar diferente onde também se falava inglês. Queria voltar a viver em um país de primeiro mundo”.
 
Amanda foi para Sidney fazer um curso técnico sobre turismo. Ao chegar, porém, percebeu que o custo de vida na cidade era alto demais. Por isso, além de estudar, precisou trabalhar até mesmo durante os fins de semana. A extensa lista de empregos inclui funções como babá, monitora de passeios em um zoológico, ajudante de cozinha e garçonete. “Fiz tanta coisa, que eu já nem me lembro mais de tudo. Só sei que eram todos trabalhos bem pesados”, comenta.
 
No fim das contas, foram justamente os esforços para conseguir dinheiro que acabaram custando caro: Amanda sofreu uma lesão na coluna que a fazia sentir dores terríveis. Para amenizar o problema, precisou pagar por três meses de sessões semanais com um quiroprata — cada consulta custava 60 dólares. Sem poder trabalhar por causa da lesão e insatisfeita com a qualidade do curso que estava fazendo, Amanda decidiu voltar para o Brasil. “Descobri que a Austrália é um ótimo para lugar para os cidadãos de lá, que têm acesso ao sistema de saúde e a vários outros benefícios. Para os estrangeiros, não é fácil”.
 
Mas a decepção com a experiência no exterior não a tornou mais otimista em relação ao Brasil. “Eu ainda acho que pagamos muito e recebemos pouco. E desisti da política. Decidi que vou levar a minha vida de uma forma que ela seja o menos afetada possível pela política do Brasil”, afirma, contando que cresceu em meio a discussões sobre o assunto graças aos pais politicamente ativos — que, segundo ela, também perderam o interesse pelo tema nos últimos anos.
 
Descrença
 
Para o sociólogo e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) Paulo Silvino Ribeiro, a ideia de estar descontente com o país e poder deixá-lo é exclusiva das classes média e alta brasileiras, já que tal atitude seria impossível para as camadas menos favorecidas da sociedade. Mas a sensação de inferioridade e o encanto em relação ao estrangeiro faz parte de nossa identidade nacional e está presente em todas as classes sociais.
 
“Isso tem a ver com a nossa ideia do que é o Brasil e do que são os brasileiros”, explica. “Nós sempre achamos que estamos em desvantagem, sendo explorados, e que o famoso ‘jeitinho brasileiro’ só existe aqui”. Para Paulo, o conceito de que o Brasil é o “país do futuro”, tão disseminado desde o governo de Getúlio Vargas, em 1930, transmite a ideia de que, em algum momento, a modernidade nos alcançará — mas esse momento parece nunca chegar.
 
Segundo o sociólogo, esse tipo de pensamento é perigoso pois pode induzir a falsas percepções, que idealizam a vida no exterior. “Os outros países também têm problemas, também passam por crises econômicas e têm casos de corrupção. Visitar um lugar como um turista é totalmente diferente da experiência de morar nesse lugar”, esclarece.
 
Ainda de acordo com ele, a falta de confiança nas instituições democráticas e a sensação de desalento das pessoas — provocada por ações de diversos governantes ao longo do tempo — são amplificadas pelas redes sociais, onde os usuários sentem-se à vontade para dividir suas aflições. “Temos a falsa impressão de que o tempo passa mais rápido, vivemos em um clima de ansiedade a todo o tempo”.
 
O sociólogo alerta para os efeitos negativos que esse tipo de imediatismo pode causar no cenário atual, especialmente em época de eleições. Para ele, o desespero por mudanças pode contribuir para a promoção de candidaturas oportunistas. Políticos com visões radicais aproveitam-se do cenário de desespero oferecendo soluções imediatas para problemas complexos — o que é extremamente perigoso.
 
“As pessoas precisam entender que sair de uma crise econômica demanda tempo, implementar uma política pública e ter resultados demanda tempo”, ressalta Silvino. “É preciso tomar cuidado com promessas de medidas drásticas, que desconsideram a complexidade da economia e não levam em conta a disparidade racial e social que existem no nosso país”.
 
Fonte: Notícias Yahoo

 

 

 

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